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Relatório traz reflexões sobre a possibilidade de a China ser uma ameaça à Segurança na Ásia

Por Fabricio Bomjardim – CEIRI NEWSPAPER

Nos últimos três anos, as disputas territoriais no leste e no sudeste asiático vem aumentando as tensões diplomáticas entre Beijing e seus vizinhos. Uma disputa que se dá nos Fóruns regionais, sem o envolvimento de ações militares, mas, que, ainda assim, não tem desviado a preocupação das nações da área com o constante crescimento militar da China.

Embora sob o discurso de que é para Defesa e preservação da Soberania Nacional, as novas embarcações de combate, o Porta-Aviões, o avanço tecnológico de artigos militares para as tropas terrestres chinesas e o desenvolvimento e fortalecimento da Força Aérea deixam tanto os países da região como vários Estados do Ocidente em estado de alerta, ao ponto de, por exemplo, em maio deste ano (2014), o Japão, um dos mais preocupados com os chineses, ter estreitado seu relacionamento com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A aproximação japonesa com a OTAN, firmada pelo primeiro-ministro Shinzo Abe, tinha seu foco no combate à pirataria, na assistência para situações de desastres e na ajuda humanitária, porém, nunca foi negada a preocupação com o poder bélico chinês e o possível uso deste poderio na disputa pelas ilhas Senkaku (Diayou, para a China).

Na época do Acordo não se esperava que a OTAN pudesse vir a interferir militarmente na região da Ásia-Pacifico, tal qual o pesquisador sênior do Instituto Nacional de Estudos de Defesa do Japão, Michito Tsuruoka, apresentou em uma monografia sobre a OTAN, em 2013, que foi lida por expressivo número de analistas. Michito Tsuruoka afirmou: “O Japão não espera realmente que a Otan desempenhe um papel militar direto na região Ásia-Pacífico, mas espera que seus aliados compartilhem percepções e abordagens[1].

No entanto, a avaliação da atuação militar de países asiáticos e ocidentais no continente asiático oscila de especialista para especialista, mas todas podem vir a sofrer alterações graças à uma pesquisa publicada pelo The Economist. Nesta, foi apresentado que a população global acredita que Beijing vai tomar uma iniciativa militar nas áreas de disputa territorial nos entornos do Mar da China.

A pesquisa publicada foi realizada pela instituição estadunidense Pew Research Center e, como base, recolheu opiniões de pessoas e autoridades em 44 países no mundo, sendo 11 deles no continente asiático, dando foco nos países que estariam diretamente envolvidos nas disputas territoriais.

Segundo os dados coletados, nas Filipinas, que hoje tem algumas divergências com os chineses sobre invasões territoriais, 93% das pessoas acreditam em uma ofensiva militar chinesa, assim como os 84% dos entrevistados no Vietnã, país que vive em constante atrito acerca da operação de uma plataforma de petróleo chinesa em águas disputadas pelos dois países.

A disputa que tem mais relevância para a segurança regional, pelo menos para a imprensa internacional, está nas ilhas Senkaku/Diayou. O arquipélago é disputado por japoneses, chineses e taiwaneses, porém se mantém sob jurisdição de Tokyo e pequenos problemas na região tornam-se grandes motivos para contencioso diplomático.

Fonte – The Economist

 

Nessa disputa, o Governo japonês não se atenta tanto às reinvindicações de Taiwan/Formosa, país com quem mantém ótimas relações e apresenta aliados internacionais comuns, acrescentando-se que o poder militar da ilha é relativamente modesto e, assim como o do Japão, é voltado essencialmente para Defesa, não podendo ser comparado ao de Beijing. Nesse sentido, 85% dos japoneses demonstram mesmo preocupação com um possível conflito bélico com os chineses, principalmente após o país anunciar a Zona de Identificação de Defesa Aérea no Mar da China.

Atualmente, o presidente chinês Xi Jinping vem estreitando seus laços com a Coreia do Sul e com a Malásia. Suas relações estão passando por um dos melhores momentos deste e do século passado, com desentendimentos modestos, os quais são tratados cautelosamente e sem grandes repercussões. Com Seul, suas divergências em comum com o Japão e assuntos envolvendo a Coreia do Norte facilitaram o estreitamento das relações, apresentando uma diplomacia bem consolidada e mantendo constante evolução positiva.

Embora haja um ótimo relacionamento, a opinião pública coreana e da Malásia não percebe os chineses como bons vizinhos. A pesquisa revela que 83% dos sul-coreanos acreditam que Beijing pode usar seu poderio militar em suas disputas regionais, uma opinião que só não se torna maior graças a sua aproximação com Seul em prol de resolver o caso da Coreia do Norte, enquanto que, para a população da Malásia, 66% dos entrevistados acreditam no uso da força chinesa, mas não se sentem ameaçados diretamente, graças a recente história com muitos pontos positivos entre as duas nações.

Um ponto curioso apresentado na pesquisa foi que 62% dos chineses mostrou preocupação com o caso de o país se envolver em uma guerra, além disso, que em Bangladesh, Indonésia, Malasia e na Tailândia a opinião pública se torna favorável aos chineses em caso de contencioso e, nesses lugares, foram mostradas preocupações com os Estados Unidos. Em algumas regiões Beijing e Washington são vistos da mesma forma pelos números militares apresentados e pelas suas ações e intervenções ao longo dos anos.

Pew Research Center

Este balanço de poder apresentado pela Pew Research Center também apresenta o crescimento do poder bélico e econômico da China na atualidade, comparando-os com a média global e num contexto histórico, no qual os chineses podem ultrapassar o poderio estadunidense em questão de alguns anos.

Na região da Ásia, conforme aponta, os Estados Unidos são considerados como a economia mais importante, mas em regiões ocidentais, principalmente na Europa, a China, hoje, é a principal economia do planeta. Quanto ao avanço militar destas duas potências, as opiniões se tornam bem alternadas de acordo com a região. Muitos atentam mais para os seus orçamentos militares do que para o efetivo uso dos recursos bélicos, tendo a China um orçamento aproximado de 215 bilhões de dólares, enquanto que o dos estadunidenses superam os 520 bilhões, sendo esses os orçamentos militares anunciados em 2014.

A pesquisa alerta ainda para uma preocupação global sobre as ações que a China poderá ter em relação às disputas em sua região e apresenta dados econômicos e militares envolvendo a maior potência do Ocidente e a do Oriente. Deixa dúvidas, no entanto, sobre a possível ameaça chinesa, as suas dimensões e quais são os seus objetivos. Contudo, para alguns observadores, a posição da China hoje é similar aos dos Estados Unidos no século XX, porém ainda não há registro do uso de seu efetivo militar para resolver casos de interesse nacional.

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Imagem 1 (FonteThe Economist):

http://cdn.static-economist.com/sites/default/files/imagecache/full-width/images/2014/07/blogs/banyan/pg_14.07.14_southchinasea_640px.jpg

Imagem 2 (FonteThe Economist):

http://cdn.static-economist.com/sites/default/files/imagecache/full-width/images/2014/07/blogs/banyan/pg-2014-07-14-balance-of-power-3-01.jpg

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Fontes consultadas:

[1] VerEstado de São Paulo”:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,japao-estreita-lacos-com-otan-atento-ao-avanco-militar-da-china,1163100

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Ver tambémPew Global Center”:

http://www.pewglobal.org/2014/07/14/chapter-3-balance-of-power-u-s-vs-china/

Ver tambémThe Economist”:

http://www.economist.com/blogs/banyan/2014/07/asian-worries-about-china-s-rise

Ver tambémCarta Capital”:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/china-eleva-orcamento-militar-em-12-2-6492.html

30 de julho de 2014

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